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Dez
03

Grandes Ministérios em Pequenas Igrejas - Parte I

Ano 7 - Vol.14 - Novembro/2012

Caro Líder Ministerial,

Eu penso que as igrejas pequenas estão posicionadas excepcionalmente para um grande ministério. Às vezes basta aprender como alavancar o que Deus deu a você!

Desejo de bênçãos, Dan Reiland

A primeira igreja em cuja equipe eu servi foi a Igreja Wesleyana de Lakeside, na Califórnia. Eu trabalhava em tempo parcial e era o pastor da mocidade e de muitas outras coisas, e um investigador particular em tempo integral - recém-saído da faculdade com a idade madura de 23 anos. A igreja tinha menos de 200 membros no total, mas estava prosperando com um ministério significativo. Richard Lauby era o pastor na ocasião e, sob seu olhar atento, eu aprendi muito sobre o ministério. Desde pregar meu primeiro sermão aos adolescentes para alcançá-los para Cristo, foi uma grande aventura aprender como fazer as coisas acontecerem com recursos modestos.

Lembro-me bem daquelas lições de ministério. Há tantas memórias maravilhosas de momentos ternos, risadas e grandes sonhos! E, é claro, montes de pizza tarde da noite! Eu me lembro de nomes e rostos de pessoas -- como Lee e Carolyn, Jack, Jennie, Rene,

David e Jeannette e muitos outros. As memórias são tão vívidas porque meu tempo em Lakeside foi cheio de um ministério significativo e de mudança de vida.

Deus faz grandes coisas em igrejas pequenas. O ponto não é o tamanho da sua igreja, mas o que Deus quer fazer através de sua igreja! Deixe-me fazer três perguntas:

1.     O evangelho está sendo ensinado?

2.     Há uma visão para alcançar as pessoas?

3.     Vidas estão sendo mudadas?

Se sim, continue a fazer o que está fazendo! Nós todos queremos que nossas igrejas sejam maiores, mas eu creio que, em última análise, o tamanho de sua igreja depende de Deus. Seu trabalho é servir e liderar bem, com todo o seu coração e deixar o resto para Ele. Eu adoro aquele ditado: "Trabalhe como se tudo dependesse de você e ore como se tudo dependesse de Deus."  Isto resume bem.

Seis palavras para igrejas pequenas:

Líderes de  igrejas pequenas,  geralmente,  ficam  paralisados com os problemas  e  dificuldades do ministério. É fácil ficar desanimado, mas é vital focalizar no que é bom. Estou oferecendo-lhe seis coisas importantes para uma reflexão.. Você não precisa trabalhar nelas todas de uma vez. Na verdade, com exceção da última, você poderia gastar cerca de um ano de trabalho nelas, dois meses em cada uma.

  • Originalidade

Há  uma  razão  para  60  ou  90  ou  140  pessoas  terem escolhido participar da sua igreja em meio a tantas outras opções na área. Há algo que torna sua igreja especial, é o seu "molho secreto!" É parte de seu DNA único e você precisa saber o que é e atentar para isto. Pode ser um louvor maravilhoso, ou uma cultura de compaixão ou, talvez, um ministério particular que Deus está abençoando em sua comunidade. Você não pode fazê-lo ou forçá-lo. Você não pode sentar-se numa reunião e decidir o que quer que ele seja. Já está lá e você precisa descobri-lo e alavancar isto como uma força para o bem na sua cidade.

  • Agilidade

Uma igreja grande é parecida com um porta-aviões. É poderosa e pode fazer muita coisa boa, mas não pode mover-se ou girar rapidamente. Ela pode ficar atrapalhada na complexidade das operações. Uma igreja pequena é mais como um barco de corrida, é rápida e pode girar como uma moeda de dez centavos. Esta é uma característica poderosa numa igreja local. Você pode tomar decisões mais rápidas e responder às necessidades das pessoas e da sua comunidade rapidamente. Você pode sentir o que Deus quer e pular dentro. É mais fácil experimentar com um ministério novo por um tempo curto. Se engrenar, você pode seguir, se não feche-o e ore a Deus pelo próximo desafio. Não fique receoso de experimentar, mas mantenha sua lista de ministérios bem pequena.

  • Intimidade

Esta é uma das coisas mais comuns que as pessoas amam nas igrejas pequenas. A proximidade, a conexão e a camaradagem são fantásticas. Isto ajuda as pessoas a sentirem-se em casa e cuidadas em sua igreja! Aproveite tudo que isto traz! Pode, entretanto, ser uma espada de dois gumes, portanto, mantenha um olho aguçado de liderança para balancear  a  intimidade  e  o  convite  a  novas  pessoas.

Desde que você dê "boas-vindas" de forma genuína às pessoas novas, este sentido de proximidade é uma das melhores coisas que você   tem!     Incentive sua congregação a fazer amigos na comunidade e convidá-los para ir à igreja. Não torne o convide um programa para "um grande dia especial": incentive-o como um estilo de vida.

  • Criatividade

Algumas das coisas mais criativas vêm de igrejas pequenas com recursos muito modestos. Quando você não tem muitos empregados, dinheiro e pessoal é muito legal ver quão criativo você pode ser. Focalize no que você tem, não no que você não tem. Nem sempre é fácil, mas pode ser inspirador  e,  frequentemente,  é divertido!  As  pessoas  na comunidade irão oferecer-se  como voluntárias para projetos especiais, empresários fornecerão os equipamentos e os políticos locais emprestarão sua influência. Você precisa sonhar, ser criativo e pedir ajuda. Eu não quero dizer ajuda para uma igreja pequena, oprimida, vítima da injustiça social, mas para uma igreja pequena inovadora, ágil e eficiente que ama as pessoas quer fazer uma diferença! O Natal está quase chegando, comece a pensar agora em algo especial que você pode fazer!

  • Sementes

Para fazer crescer e multiplicar o ministério, nós, como líderes, necessitamos ser plantadores de sementes. Há muitos tipos de sementes para semear. O amor, a bondade e a compaixão são um grupo de sementes que retornam dividendos grandes a tempo. A generosidade e o incentivo dão forma a outro grupo. Você e sua igreja provavelmente já são bons nisto. Outro tipo vem do pensar grande e de modo incomum para uma igreja pequena. Por exemplo, Deus permitiria que você levantasse alguns novos líderes da próxima geração para enviar para fora no ministério pastoral? Talvez você pudesse enviar um missionário ou mesmo iniciar uma igreja! Plantar este tipo de sementes é uma maneira de estender o espaço e o alcance de sua igreja de modos, realmente, grandes. E na minha experiência, Deus sempre abençoa quando você dá de si mesmo.

  • Favor

O favor de Deus não é reservado para igrejas grandes e poderosas. Na verdade, eu creio que Ele está   procurando   igrejas   humildes e disponíveis que queiram alcançar pessoas não resolvidas espiritualmente e levar adiante o nome de Jesus, independente do seu tamanho. O favor de Deus certamente é um mistério. Nós não podemos comprá-lo obtê-lo por pedido. Mesmo assim, ele não é misterioso. Nós sabemos que Deus quer abençoar a Sua igreja! Às vezes não é mais complicado do que pedir a Deus Seu favor sobre a sua igreja e, outras vezes, é esperar pacientemente e continuara ser fiel em fazer as coisas certas.

O favor de Deus não é uma bala mágica para o crescimento da igreja. É um toque divino que traz o supernatural para o natural. Fornece a mudança da vida e o momentum. O favor é mais sobre a graça e o poder do Reino. O favor é esta presença Santa que faz o trabalho árduo se transformar em resultados frutíferos.

Que  Deus  possa  abençoá-lo  com  muito  favor.  Eu  oro  para  que  seu  coração  seja  renovado  e encorajado para o ministério único que posiciona as igrejas pequenas no Reino de Deus.


Liderança Ministerial é uma publicação periódica sem vínculo denominacional  com o objetivo de compartilhar artigos de interesse para membros da liderança de sua Igreja. Para solicitar sua inclusão ou exclusão da lista de distribuição, escreva para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Tradução para o português Silvia Giusti. Editor e revisor, Wilson R. Zuccherato

Texto originalmente  publicado  em inglês por The  Pastor's  Coach  -  Novembro  de 2012. Acesse diretamente o site do autor (em inglês) em http://leadsharp.org

Você pode encontrar qualquer número antigo do "Liderança Ministerial" no site da Igreja Metodista -

5ª. Região Eclesiástica no seu tópico Liderança:  http://5re.metodista.org.br

 

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Nov
25

Recarregando as Baterias

Chegou o final do ano e tenho a impressão que todos estão se sentindo como eu: cansadíssimos. Além do cansaço físico parece que há um elemento emocional que acaba potencializando o cansaço. Não vemos a hora de encerrar o ano, ficamos contando os dias e chegamos até mesmo a ‘relaxar' um pouco em nossas responsabilidades. A vontade que dá é jogar tudo para o alto e relaxar, descansar e renovar as forças.

Todos nós precisamos "recarregar as baterias," por assim dizer. É bom apenas entender a diferença entre "descansar" e "recarregar" as baterias. Muitas vezes descansamos mas não conseguimos renovar as forças. Isso porque descansar não é o bastante. É preciso ir além disso e aí entra o que chamo de "recarregar as baterias."

Descansar é apenas interromper a atividade e isso, obviamente, já ajuda demais em todo esse processo de renovação das forças. Porém descansar se limita a interromper a atividade que nos deixa cansados. Precisamos mais do que isso. E aí entra o "recarregar as bateriais" que é fazer coisas que não apenas nos descansem mas que também nos deem a energia necessária para mais um período de trabalho.

Estudiosos afirmam que precisamos descobrir atividades que injetem em nós ânimo e nos ajudem a repor as forças que foram gastas nas tarefas de liderança. Não basta se divertir, dormir e praticar esporte. É preciso fazer algo que gerará uma força extra para lidar com situações práticas do trabalho. Desse modo, recarregar as baterias é algo que fazemos não apenas em um período de férias mas também durante todo o ano. Seria na prática incluir atividades propositais que nos ajudarão a "carregar as baterias" emocionais, mentais e até espirituais.

Que tal nessas férias ler um bom livro sobre liderança, assistir uma palestra ou mesmo bater um papo informal com um líder? Que tal em meio a banhos de mar sentar-se um pouco na areia e compartilhar suas dúvidas e anseios com um bom conselheiro? Vale até mesmo ver in loco um outro líder trabalhar. Tudo isso pode servir como um elemento de fortalecimento e novo vigor na liderança.

Espero que você descanse nesse recesso de atividades. Mas que também recarregue suas baterias. E que no início do próximo ano você retorne com novas forças, revigorado primeiramente por Deus mas também por pequenos gestos capazes de trazer um novo ânimo para um novo ano.

Um abraço e boas férias!

 

Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Dezembro de 2011

www.prgimenez.net

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Nov
25

Para sonhar é preciso fechar os olhos

Todos nós sonhamos. Ainda que não nos lembremos de nossos sonhos. A mente humana produz vários sonhos todas as vezes que fechamos nossos olhos e dormimos. Os sonhos são elaborações importantes de nossos pensamentos e, curiosamente, só acontecem quando nos fechamos à realidade presente e, através do sono, nos transportamos para a fantasia e possibilidades, retratadas nas imagens e aventuras acontecidas em um sonho.

Na liderança, nós também só conseguimos sonhar quando estamos de olhos fechados. Existem momentos em que precisamos fugir da realidade e elaborar novas ideias, construir novas possibilidades e aí, então, abrir os olhos e começar a modificar a realidade. Esse fechar de olhos não é sinônimo de negligência ou irresponsabilidade, mas sim uma estratégia. Ele é proposital por algum tempo. Sem isso, não conseguimos sonhar e, consequentemente, vamos repetindo o presente até que ele se torne cansativo ou obsoleto por falta de sonhos ou ideias novas.

Suzana Herculano - neurocientista - diz que, enquanto sonhamos, resolvemos uma série de problemas. Aquilo que não foi resolvido conscientemente se torna ‘assunto' para o sonho e, através dele, muitas soluções são dadas. Quando acordamos, encontramos novas possibilidades para solução porque, enquanto dormíamos, nosso inconsciente trabalhava incansavelmente para encontrar respostas (Site: http://www.suzanaherculanohouzel.com/). Sonhar, portanto, é muito mais do que fantasia.

Na prática, nós podemos sonhar através de um curso novo, um período de férias, um dia de folga, uma mudança de rotina, delegação de funções e outras iniciativas que nos tiram de determinada realidade por um determinado tempo e nos dão liberdade para pensar, imaginar, ver novas realidades, conviver com novas pessoas e até mesmo participar de novos ambientes. E, na liderança cristã, a maneira como isso acontece de modo mais eficaz é através de um ‘tempo com Deus'. Seria como repetir o que aconteceu com Moisés no monte Sinai. Durante quarenta dias, ele saiu da realidade de liderança do povo de Israel, subiu ao monte e se ausentou totalmente do que acontecia com o povo. Durante aquele dia, ele ficou focado e concentrado em Deus. Teve momentos de comunhão e ensino com o Senhor. Ali foi fortalecido e, então, pôde descer. É bem verdade que muitas coisas ruins aconteceram em sua ausência. Mas, Moisés estava fortalecido agora para seguir em frente e liderar o povo com uma nova visão.

Talvez seu período para sonhar não seja de quarenta dias. Jesus teve períodos mais curtos em que através da oração e solitude também se preparou para o futuro. Por várias vezes o encontramos saindo do meio da multidão e subindo ao monte. O apóstolo Paulo, após sua conversão, foi para a Arábia e por lá ficou três longos anos. Foi seu período de preparação para viver novos momentos, totalmente diferentes de tudo aquilo que já havia experimentado na vida. Não importa o período: você precisa de momentos para sonhar, fugir um pouco da realidade de modo proposital e, assim, alimentar a mente e o coração com novas possibilidades.

Que tal fechar os olhos por algum tempo e sonhar? Não é fácil, o medo de que algo saia errado enquanto estamos sonhando é grande, mas é preciso! Sem sonhos acabamos fadados ao fracasso ou então à repetição do que foi feito durante os últimos anos. E sempre é preciso renovar, repensar, construir novas possibilidades, enfim, sonhar!

Feche os olhos, ainda que por um período curto, mas concentre-se em sonhar, construindo novas possibilidades. Quem sabe, à semelhança de Moisés no Sinai, você poderá ter momentos indescritíveis de comunhão com Deus através dessas fugas propositais da realidade.

 

Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Pastor Titular da Igreja Batista Betel

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Nov
25

Liderança e Inteligência Emocional

Em 1995, Daniel Goleman escreveu o livro "Inteligência emocional". Sua ideia inovadora defendia a necessidade de os líderes terem outras qualidades além daquelas esperadas até então pelo mundo corporativo - inteligência, tenacidade, determinação e visão. Líderes, segundo ele, precisavam também de autoconhecimento, motivação, controle próprio, empatia e habilidade social. Ali estava descrito o conceito de inteligência emocional. O potencial de um líder depende não apenas de técnica ou formação, mas também da capacidade de se relacionar com as pessoas e consigo mesmo. A performance de um líder depende, então, das emoções. É a emoção que conecta o líder ao mundo e às pessoas. É ela que dá condições para equilibrar a técnica com a vida - defendeu Goleman no mesmo livro.

Convivo com líderes de igreja há mais de 20 anos e leio sobre o assunto por este mesmo tempo. Também conheço líderes do mundo corporativo e da política. Gosto de analisá-los, conversar com eles e ver como agem na liderança. E, sem muito esforço, percebi que os líderes mais bem-sucedidos são exatamente os que lidam melhor com suas emoções. São os que se relacionam melhor com as pessoas e os que conseguem equilibrar sua inteligência com a possibilidade de relacionamento social; técnicas de mercado com diálogo franco e aberto; informações da bolsa de valores com valorização dos liderados.

Esse equilíbrio deveria ser a ambição de todos os líderes, principalmente na igreja. Mas a verdade é que há pessoas que apresentam grande dificuldade de relacionamento, e ainda assim continuam na liderança. São bons professores e até visionários, mas não conseguem ser amáveis, sinceros, compartilhar a vida e conversar de modo adequado. Chegaram à liderança carregando traumas, dificuldades sérias de relacionamento e problemas de caráter. São muito inteligentes, mas não equilibram suas emoções. Isso resulta em uma liderança que machuca pessoas e as desconsidera, que usa seus dons e talentos e despreza o valor de seus liderados como indivíduos".

Goleman defende a ideia de que líderes precisam mais de arte do que de ciência. Mais  de relacionamento do que de técnica. Concordo plenamente. Ciência e técnica são muito importantes, mas não o bastante. Líderes precisam saber conversar, se importar com a dor, criar uma condição mínima de relacionamento, pois sem isso não é possível liderar. E muito mais líderes cristãos, que veem em Jesus um exemplo claro de alguém que sabia se relacionar e fazer discípulos. Sabia valorizar pessoas e fez delas seu maior objetivo.

Sem inteligência emocional, uma pessoa pode ter o melhor treinamento do mundo, uma mente incisiva, analítica, e uma fonte infinita de ideias inteligentes, mas ainda assim não será um grande líder. Se alguém quer liderar, precisa estar emocionalmente sadio e pelo menos equilibrado em suas emoções. Se faltar esse elemento básico na liderança, todo o restante será insuficiente. Se faltar essa base, não haverá planejamento ou criatividade, no mundo, capazes de resolver problemas simples, como falta de diálogo ou motivar uma equipe.

Goleman e outros autores estão defendendo a inteligência emocional e construindo um perfil de "liderança emocional". Poderemos aprender muito nos próximos anos com esses estudos. Mas, se olharmos para Jesus, já teremos um bom exemplo de um líder com suas emoções equilibradas, sadias e abençoadoras. Siga seu exemplo e conseguirá construir equipes, dialogar com liderados, motivar pessoas e chegar aos seus objetivos.  Inteligência emocional: um bom assunto para sua autoanálise e reflexão em equipe!

 

Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

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Nov
25

Ninguém morreu, mas eu estou de luto

Conheci uma senhora, viúva há mais de 20 anos, que andava vestida de preto, manifestando seu luto. Como ela era a mãe de um grande amigo, tive a oportunidade de conversar com ela várias vezes e, em quase todas, ela falava do falecido marido. Nutria um amor tão grande por ele, que parecia que ainda estava vivo. Ela falava de suas preferências, lembrava de eventos marcantes de sua vida e quase sempre, ao final das narrativas, ela chorava, dizendo da saudade que sentia.

Pelo que me lembre, nunca vi aquela mulher feliz. As poucas vezes que ela sorria, era quando falava do falecido marido e dos momentos em que viveram juntos. Cheguei à conclusão de que aquela mulher estava presa ao passado de tal forma que não conseguia se alegrar com o presente. Na verdade, ela não vivia o presente. Todos seus pensamentos estavam relacionados ao passado. A questão não era nem a saudade, mas sim a impossibilidade que ela encontrava em seguir em frente, superando a dor e reconstruindo sua realidade.

Muitas pessoas se comportam como aquela senhora. Estão em luto, não necessariamente por uma pessoa, mas por um tempo, uma época específica que não voltará mais. Suas alegrias sempre estão ligadas ao passado e, de certo modo, sua conversa sempre remete ao que aconteceu há algumas décadas. Toda a motivação esta ligada ao que foi feito, como foi feito e em nome do que foi feito. Estas pessoas são capazes de narrar com exatidão períodos já vividos, e podemos ver um brilho em seus olhos cada vez que elas repetem os mesmos fatos.

Esse luto é saudável enquanto experiência. Mas se torna um verdadeiro entrave para novas conquistas quando se estende por toda a vida. O presente e o futuro são desprezados e o passado acaba se tornando a única referência daquilo que é bom, proveitoso e ­- no caso da igreja - cristão ou espiritual. Esse luto faz ressuscitar frases do tipo "não se faz mais igreja como antigamente" e outras. É bem verdade que muita coisa abençoada aconteceu e algumas ainda sobrevivem. Mas outras, infelizmente, já se transformaram em óbitos em nossa estrutura eclesiástica ou mesmo em nossa sociedade.

O luto pelo tempo, como qualquer luto, tem suas manifestações. A tristeza é a mais conhecida. Mas existe também a indiferença. Ela provoca um olhar frio sobre o presente e futuro, tenta negá-los de todas as formas e, se não conseguir, chegará ao cúmulo de assassiná-los com palavras ou ações que podem, inclusive, promover problemas graves para a igreja. Esse luto pode se transformar em agressividade e também promover apelos emocionais no sentido de resgatar o "defunto". Poderíamos comparar isso com uma viúva que mantém um lugar à mesa para o falecido marido e age como se ele estivesse ali. Ele não está lá fisicamente, mas emocionalmente está para ela!

De certo modo, todos nós vivemos um luto por algo do passado que marcou nossa história positivamente. Eu mesmo me lembro de coisas que, no passado, foram tão importantes na minha igreja de infância. Lembro-me de canções, programações e até mesmo um modelo de igreja que funcionava tão bem. Mas simplesmente esse tempo não volta mais e aquela igreja só existe na minha mente. A história muda e com ela muita coisa também vai mudando, queiramos as mudanças ou não.

O mais importante em todo esse processo de luto é encarar os fatos na dimensão real e admitir que muita coisa não volta mais. Não acontecerá mais. Já se tornou passado. Honramos em nossa memória o que já se passou. Praticamos o que ainda pode ser usado como estratégia do próprio Espírito Santo para nossa vida. Mas deixamos no passado o que já morreu. Os vídeos em VHS e os álbuns de fotografia trarão à nossa mente tempos bons, mas que não voltam mais. E, como bem disse o sábio em Eclesiastes, "há tempo para tudo". Tempo para nascer, mas também tempo para morrer. Passado o luto natural, sigamos em frente, vibrando com tantas coisas novas que nascem e nos alegram sobremaneira.

 

Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

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