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Nov
25

Bullyng Eclesiástico

Fala-se muito nesses últimos dias sobre a prática do Bullying.  A palavra de origem inglesa serve para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder.

A palavra surgiu através da figura do bully (palavra inglesa que pode ser traduzida por valentão). Em todas as culturas existe esse personagem que impõe medo, constrangimento e incômodo a alguns que, segundo ele, são fracos ou diferentes. O valentão (e seus amigos) são capazes de atos cruéis apenas para afirmar sua superioridade, força ou poder. Helen Janosik, psicóloga famosa em Psicologia de Crise, diz que algumas pessoas que foram alvo de bullying acabaram adquirindo um perfil depressivo e temeroso. Algumas delas são capazes de carregar para o resto da vida a imagem do valentão que a agrediu, humilhou e com palavras ou gestos a fez sofrer.

Em todos os ambientes existe a prática do bullying e infelizmente na igreja também. Existem valentões dentro das igrejas que em nome da doutrina, cargo, anos de vida cristã ou espiritualidade fazem muita gente sofrer. Chamo esse tipo de bullying de "eclesiástico" e o encontro em todas as igrejas, independente da denominação ao qual pertençam. A única questão que precisa ser destacada aqui é que muitas vezes a justificativa para atos cruéis é a obediência a Deus. No passado foi assim, como na época das inquisições e hoje continua a mesma coisa. Em vez dos valentões serem sinceros e declararem seu egoísmo, prepotência e vaidade se escondem atrás da Bíblia, de Deus ou da igreja. E bem escondidinhos revelam sua carnalidade através de discursos que causam dor e angústia, comportamento que impõe constrangimento ou simplesmente o desprezo que entristece e deprime.

O bullying eclesiástico é aplicado em geral sobre novos crentes, irmãos vindos de outras igrejas ou mesmo membros da igreja que de alguma forma se apresentam como um pouco ‘diferentes' dos demais. Frases do tipo "cheguei nessa igreja antes de você" são bem características desse tipo de pessoa que provoca o bullying. Acusações de ser renovado, tradicional, frio, carnal, ultrapassado e outras também fazem parte do mesmo contexto. A pessoa que é atacada pelo valentão se sente mal recebida, preterida, ignorada, acusada, rejeitada e por fim acaba esfriando na fé e até deixando a igreja local.

O bullying tem sido condenado em vários lugares do mundo e até mesmo em nosso país. O Senado brasileiro já aprovou a criminalização da prática do bullying e o considerará como "intimidação vexatória" com pena prevista de um a quatro anos de cadeia. E dentro de nossas igrejas? O que faremos com aqueles que acusam, desprezam, intimidam ou zombam de outros irmãos ou novos convertidos? Como agiremos com aqueles que se levantam e falam mal de irmãos, inventando estórias ou mesmo causando vexame público a eles? Jesus declarou certa vez: "Se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, seria melhor que fosse lançado no mar com uma grande pedra amarrada no pescoço" (Marcos 9:42). O bullying eclesiástico tem feito muitas pessoas tropeçarem e saírem de nossas igrejas decepcionados e machucados.  Será que não é a hora de levantarmos um grande clamor contra os "valentões da fé" que tem agido livres dentro de nossas igrejas e promovido tanto prejuízo entre nossos irmãos?

Precisamos dentro de nossas igrejas irmãos sábios no falar, amorosos e que motivem e incentivem os crentes novos, os membros antigos da igreja e também aqueles nossos irmãos que são diferentes da maioria, seja na expressão ou pensamento. Os fariseus são o exemplo mais claro de bullying na Bíblia. Eles passavam o tempo todo acusando e intimidando pessoas. Nem Jesus Cristo escapou deles. Não podemos de modo algum nos comparar a esse grupo. Devemos ser mais samaritanos no sentido de ajudarmos as pessoas e darmos a elas o incentivo tal que as ajudará a firmarem-se na fé e a sentirem-se bem vindas, amadas e parte da igreja.

Bullying eclesiástico? Tô fora!

 

Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Pastor Titular da Igreja Batista Betel

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www.prgimenez.net